sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sobre o primado da escrita


Tem-se lido e ouvido na boca de diversos acordistas afirmações que exprimem algum desdém retógrado (não posso qualificar de outro modo, como tentarei adiante explicar) pela língua escrita, como se esta fosse um sub-produto da oralidade, como se a língua oral fosse a primodial e fundamental manifestação do saber linguístico dos falantes.

Estas afirmações, ignorantes e desinformadas, pretendem 1) mostrar que as mudanças que o Acordo Ortográfico introduzirá na ortografia são de pouca monta e pouco importantes, porque a ortografia é como "maquilhagem para as mulheres" como estultamente afirmou alguém com responsabilidades reitorais, e  2) desacreditar cientificamente aqueles que se opõem a mudanças na ortografia euro-afro-asiático-oceânica.

Historicamente, a escrita é uma invenção: é uma tecnologia (cujo uso depende de outras tecnologias). A Humanidade falou durante muitas dezenas de milhares de anos antes de escrever. Também cada um de nós falou antes de escrever. 

Mas, quando se estuda a escrita, seja numa perspectiva etológica, ecológica, antrológica ou linguística — e felizmente temos já décadas de saber acumulado sobre estas matérias, que a generalidade dos acordistas mostra ignorar —  o que conta não é a dimensão histórica ou derivada da escrita, mas sim o carácter funcional da mesma; ou seja, em termos simples, o papel o estatuto que à escrita é atribuído numa sociedade altamente alfabetizada e textualidada.

É certo que falámos de saber escrever e ler; mas mais certo é que quando aprendemos a escrever (bem) e a ler (bem) entrámos num admirável mundo novo contruído com letras, aquilo que um especialista reconhecido em obra de referência designou «the world on paper». Um mundo cuja bescobnreta pressup-oe a aletração do nosso cérebreo e a aquisição de capacidades motoras completamente novas, seja para segurar num lápis, seja para "teclar" num coputador ou num telemóvel. Entre um humano alfabetizado e um não alfabetizado há um fosso cognitivo abissal.

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Escrituralidade e oralidade são medi aautónomos, sabemos hoje após décadas de progresso científco no esudo da comunicação escrita e dos sistemas de escrita.

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